Gerir uma empresa implica tomar decisões todos os dias. Algumas são simples e fazem parte da rotina. Outras podem ter um impacto direto nos resultados da empresa.
Nem sempre é a falta de vendas que prejudica os resultados de uma empresa, por vezes, o problema está na forma como o negócio é gerido: custos que não são acompanhados, margens que não são analisadas, decisões tomadas sem informação ou simplesmente falta de planeamento.
E é aqui que uma boa gestão faz a diferença!
Neste artigo, reunimos 7 erros de gestão que podem estar a custar dinheiro à sua empresa:
1. Não acompanhar os principais indicadores de gestão
A faturação, por si só, não permite perceber se uma empresa está a evoluir de forma saudável. É necessário acompanhar outros indicadores que ajudem a compreender a realidade do negócio.
Margens, rentabilidade, custos, tesouraria, evolução das vendas, prazos médios de recebimento e pagamento são apenas alguns exemplos.
Sem estes dados, muitas decisões acabam por ser tomadas com base em suposições ou ideias pré-concebidas e existe uma diferença significativa entre achar que o negócio está bem e ter informação que o demonstra.
2. Misturar as contas pessoais com as contas da empresa
Quando as despesas pessoais e empresariais se misturam, torna-se muito mais difícil perceber quanto dinheiro a empresa está realmente a gerar, quais são os seus custos e qual é a sua verdadeira rentabilidade.
A separação entre as finanças pessoais e as finanças da empresa não é apenas uma questão de organização. É uma questão de gestão.
A empresa deve conseguir apresentar uma imagem clara da sua situação financeira, sem que essa realidade seja influenciada por movimentos que nada têm a ver com a atividade empresarial.
Quanto mais organizada estiver esta informação, mais fácil será analisar resultados e tomar decisões com base em factos reais.
3. Não controlar os custos
Controlar custos não significa cortar despesas indiscriminadamente. Significa perceber onde o dinheiro está a ser aplicado, porquê e qual o impacto desse gasto no negócio.
Não se foque apenas nas grandes despesas. Rendas, salários, fornecedores ou investimentos são fáceis de identificar. O problema está muitas vezes nas despesas que, por serem mais pequenas, acabam por passar despercebidas.
Uma subscrição que já não utiliza, um serviço que deixou de ser necessário, condições de fornecedores que nunca foram revistas ou recursos que estão a ser pouco utilizados podem representar, no final do ano, um valor significativo.
Uma despesa pode parecer pequena quando analisada isoladamente, mas, quando se repete todos os meses ou quando existem várias despesas semelhantes, o impacto pode ser considerável.
O objetivo não é simplesmente gastar menos é saber investir melhor.
4. Não fazer previsões
Gerir uma empresa olhando apenas para o que já aconteceu é insuficiente. Os resultados do mês passado são importantes, mas uma boa gestão também deve procurar antecipar o que poderá acontecer nos próximos meses.
Por exemplo, o que acontece se as vendas ficarem abaixo do esperado? Conseguimos suportar?
Não se trata de ser pessimista, mas sim, de ser ponderado e realista, pois imprevistos acontecem. Trabalhar diferentes cenários para estar preparado para o que possa acontecer vai garantir mais estabilidade ao seu negócio.
Um planeamento financeiro adequado permite identificar necessidades com antecedência e tomar e preparar decisões antes de os problemas surgirem.
5. Não conhecer as margens do negócio
Aumentar a faturação é, naturalmente, um dos objetivos de qualquer empresa, mas vender mais não significa necessariamente ganhar mais. É aqui que conhecer as margens do negócio se torna essencial.
É imprescindível perceber quanto fica efetivamente para a empresa depois de considerados todos os custos associados ao produto ou serviço.
Esta análise ajuda a identificar o que está a gerar mais valor para a empresa e, ao mesmo tempo, a detetar situações em que o volume de vendas pode estar a esconder margens demasiado reduzidas. Permite também, perceber se os preços praticados estão ajustados aos custos, se determinadas atividades continuam a ser rentáveis e onde existem oportunidades para melhorar os resultados.
Uma empresa pode ter um bom volume de vendas e, ainda assim, estar a trabalhar com margens insuficientes. Vender mais é importante, mas vender com rentabilidade é essencial.
6. Tomar decisões sem informação suficiente
Na gestão de uma empresa, há decisões que podem parecer simples no momento, mas que têm consequências que nem sempre são evidentes à primeira vista.
É essencial tomar decisões com base em informação real sobre o negócio e não apenas com base em perceções ou experiências anteriores. Uma decisão que parece evidente pode assumir outra dimensão quando analisamos os números. A informação ajuda-nos a tomar decisões mais informadas e fundamentadas.
Contratar um novo colaborador, fazer um investimento, baixar preços, aceitar um novo cliente ou avançar com um projeto pode representar uma oportunidade, mas também pode criar custos ou comprometer a tesouraria da empresa. Antes de decidir, é importante perceber o impacto dessa decisão nos resultados, nos custos, na rentabilidade e na capacidade financeira do negócio.
A experiência e o conhecimento do mercado são importantes, mas tornam-se ainda mais úteis quando são acompanhados por dados concretos.
7. Deixar a gestão financeira para “quando houver tempo”
Este é, provavelmente, um dos erros mais comuns e difíceis de evitar.
O dia começa atarefado e quando damos por isso, já terminou. O tempo parece cada vez menos e começamos a priorizar temas e a deixar algumas tarefas do dia a dia para depois. E é então que a análise da gestão fica para amanhã, e depois para o dia seguinte e posteriormente para mais tarde, e assim se prolonga até que exista tempo.
O acompanhamento de resultados, análise de custos, controlo da tesouraria, avaliação de indicadores e planeamento devem ser processos regulares. Porque aquilo que não é acompanhado dificilmente é gerido.
Gerir uma empresa não é apenas cumprir obrigações ou olhar para os resultados no final do ano. É acompanhar o negócio, perceber o que está a acontecer, antecipar dificuldades e identificar oportunidades.
É transformar números em informação – informação em conhecimento – conhecimento em decisões informadas, inteligentes e ponderadas.
Gerir também é delegar, é saber reconhecer quando é necessário pedir ajuda para continuar a evoluir.
Se sente que a sua empresa está a crescer, mas a gestão não está a acompanhar esse crescimento, talvez esteja na altura de olhar para os números de outra forma.
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